Como é ter carro elétrico no Brasil

 

Poucas pessoas apostam no uso de carros elétricos no Brasil — dados oficiais da Fenabrave (associação de concessionários) apontam menos de 3 mil veículos desse tipo emplacados no Brasil. Mas esse número tende a ser reforçado, seja por unidades de híbridos plug-n (cujas baterias são reabastecidas na rede elétrica), seja por iniciativas que começam a surgir aqui e ali.

Conforme a discussão sobre carros e a Infraestrutura Eletrificada se ampliam, mais gente se interessa e mais dúvidas surgem. Duas são muito pertinentes: como faço para carregar? Quanto custa ter um carregador?

Tanto elétricos quanto híbridos plug-in costumam sair da loja com um carregador incluído. Modelos como o BMW i3, por exemplo, podem ser recarregados com esse cabo conectado em uma tomada de três pinos de diâmetro maior, daquelas usadas em ar-condicionado e máquinas de lavar.

Geralmente, não exigem qualquer adaptação na rede elétrica, fora uma eventual troca do disjuntor. Mas e se esse carregador não for o bastante para você? E se você quiser um segundo, para deixar no escritório ou na casa de veraneio, quanto vai custar?

O custo do carregador semirrápido

UOL Carros foi atrás dessa conta e descobriu que o cálculo já está sendo feito por diversas empresas do ramo automotivo, mas também por construtoras, além de concessionários do segmento de energia. Mas o resultado ainda é difícil, tanto que levamos três meses até ter uma resposta satisfatória.

Geralmente, o carregador de fábrica é do tipo “lento”. Com ele, recargas completas levam de oito a dez horas, aproximadamente.

Considerando que baterias de elétricos já existentes têm autonomia média de 150 km (só modelos mais recentes estão prometendo passar da casa dos 350 km), uma noite de carga na garagem é suficiente para garantir energia no uso urbano cotidiano. Mas se o motorista precisar andar mais ou reduzir o tempo de recarga, terá de investir em solução melhor.

Carregadores semirrápidos para a garagem de casa ou do trabalho reduzem o tempo de carga para 1h30 e também funcionam na rede elétrica normal, mas geralmente com tensão de 220 V — em cidades como São Paulo, por exemplo, o padrão é 110 V. Neste caso, é preciso gastar não apenas com o aparelho, mas também com a instalação.

UOL Carros constatou que o carregador semirrápido pode custar entre R$ 7 mil (valor cobrado pela chinesa BYD, incluindo os custos de instalação) e R$ 8 mil (modelo “i Wallbox Pro”, fornecido pela BMW).

A Electric Mobility, empresa homologada pela Volvo para atender a clientes do XC90 Hybrid (e que também atende proprietários de elétricos e híbridos de outras marcas), tem carregadores com preços entre R$ 7,5 mil e R$ 8,5 mil.

Modelos mais caros são capazes não apenas de carregar a bateria, como também gerar relatórios da energia consumida.

Gastos para instalação variam caso a caso. No pior cenário, envolvem mudança da estrutura elétrica do imóvel e da caixa de energia. A Electric Mobility informa que cobra de R$ 800 a R$ 5,3 mil, aproximadamente, para instalar o ponto de recarga — a empresa oferece vistoria e orçamento sem custos a clientes Volvo. Mas há relatos de instalação por apenas R$ 100 (saiba mais abaixo).

Torre eletrificada

Outra tendência é a de imóveis, seja apartamento ou sala residencial, cujos projetos já contemplam estrutura para recarga de elétricos. O condomínio misto Jardim das Perdizes, localizado no bairro da Barra Funda, na Zona Oeste de São Paulo, traz dois pontos compartilhados para recarga lenta em cada torre de apartamentos, além de outros seis pontos semirrápidos para as torres de escritórios.

Segundo a construtora Tecnisa, o custo informado dos equipamentos — R$ 6 mil pelos primeiros, R$ 22 mil para os últimos — acaba diluído no valor das unidades (as contas individuais de uso são controladas por crachá e a conta mensal acaba ficando, em média, na casa dos R$ 20, mas essa é outra história).

A construtura também disponibiliza assistência para instalação de ponto de recarga individual, se o cliente desejar. Condomínio com proposta semelhante está em construção em Guarulhos, na Região Metropolitana de São Paulo. Outros já existem também em Brasília (DF).

Em casa, como faz?

O administrador de empresas Leonardo Celli Coelho decidiu se mudar da região de Osasco, na Grande São Paulo, para Jaguariúna, no interior do Estado, em busca de uma vida mais tranquila e “sustentável”.

Ele e a mulher fizeram a mudança em 2016, quando compraram um BMW i3, e construíram uma casa equipada com o carregador semirrápido. Foram além: instalaram células fotovoltaicas no telhado para gerar energia ao imóvel durante o dia, utilizada, dentre outras coisas, para reabastecer as baterias do veículo.

“Investi cerca de R$ 25 mil com projeto, instalação e homologação pela distribuidora de energia elétrica local. Quanto ao carregador, a BMW me deu como bônus pelo fato de eu ter financiado o i3 em apenas dois anos. Chamei o eletricista que montou a rede elétrica da minha casa para instalar e esse serviço saiu por R$ 100”, afirma o administrador.

Coelho diz que o sistema doméstico atende perfeitamente suas necessidades diárias. “O carro é utilizado principalmente pela minha mulher. Rodamos quase todo o tempo na cidade, cerca de 40 km por dia, enquanto o i3 tem autonomia de aproximadamente 150 km. Só preciso de carregadores públicos quando preciso pegar a estrada para ir para São Paulo, por exemplo, usando apenas o modo elétrico”, conta.

O i3 usado por Coelho (versão REx) tem um pequeno motor de 620 cc, a gasolina, que funciona como um extensor de autonomia e garante cerca de 180 km extras.

Para rodar 120 km entre Jaguariúna e São Paulo e depois retornar, Coelho utiliza os carregadores rápidos disponíveis no trajeto — um no km 56 da Rodovia dos Bandeirantes, sentido capital, e outro no km 67 da Rodovia Anhanguera, sentido interior. “Nesses carregadores, consigo em cerca de 30 minutos recarregar todas as baterias. Com uns 15 minutos por trecho, tenho carga para ir de Jaguariúna e voltar sem precisar reabastecer na capital”, explica.

Esses carregadores rápidos, que são bem mais potentes e funcionam com corrente contínua (alta voltagem), custam entre R$ 110 mil e R$ 170 mil cada, sendo praticamente inviáveis para uso doméstico. Mas estão se multiplicando em projetos empresariais e nas chamadas eletrovias, que começam a “se acender” pelo país.

 


Fonte:

https://carros.uol.com.br/noticias/redacao/2018/05/04/carregador-de-carro-eletrico-quanto-custa-instalar-em-casa-ou-no-trabalho.htm

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